Fusão Nuclear: Guerra da Ucrânia acelera busca pela tecnologia

A redução de gás distribuído pela Rússia no continente europeu, fez com que a discussão sobre a fusão nuclear mudasse.

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Desde de 2021, as tensões entre os antigos países soviéticos vem cada dia tornando-se pior. A intensificação da Guerra da Ucrânia expôs a Europa a uma crise energética que assola o continente atualmente. Com a redução da Rússia no envio de gás para seus vizinhos, o desenvolvimento de uma fonte de energia independente da geopolítica tornou-se urgente. A fusão nuclear figura entre umas das melhores opções para resolver esse problema.

A Rússia é responsável pelo abastecimento do gás de 40% da demanda da União Europeia. A redução no envio de gás natural pelo país, que é o maior exportador no segmento, acelerou a busca por energia vinda da fusão nuclear. Em resposta a Newsweek, Megan Wilson, diretora de estratégia e marketing da General Motors disse que a situação é um aviso de como a fusão nuclear é essencial, “Como o conflito russo causa altos preços de energia e escassez de energia na Europa, estamos vendo um aumento no interesse pela fusão em um momento em que o interesse na fusão já é alto”.

O que a fusão nuclear tem de tão boa?

O processo de fusão nuclear consiste em forçar dois núcleos atômicos a se unirem sob condições intensas, assim criando um único núcleo mais pesado. Contudo, sua massa não é igual à soma das massas dos núcleos originais, de modo que o peso que “sobrou” se converte em energia. Esse processo ocorre no Sol, onde núcleos de hidrogênio fundem-se a todo momento em átomos de hélio. A “sobra” da reação libera cerca de dois milhões de vezes mais energia do que a liberada por fissão de átomos. Comparada a Itaipu, 3 kg de hidrogênio produziria a mesma energia produzida pela usina em um dia.

A fusão nuclear também é vantajosa devido a facilidade em conseguir átomos de hidrogênio e por não trazer prejuízos ao meio ambiente. O método além de não emitir carbono, produzir lixos tóxicos e insumos radioativos também possui baixíssimos riscos de explosão e contaminação. Entretanto, desenvolver um reator que produz menos energia do que é consumida é um desafio para a fusão nuclear. 

Segundo Wilson, o setor privado é um dos maiores investidores da tecnologia. De acordo com uma pesquisa feita pela Fusion Industry Association, em julho deste ano, o setor privado levantou mais de 4,7 bilhões de dólares em pesquisas do que no último ano. Muitos países como a China e até mesmo a Rússia tem trabalhado na busca de energia a partir da fissão nuclear. A previsão é que ainda nas próximas duas décadas  essa tecnologia já esteja disponível para abastecer nossas casas.