Adesão à vacina contra covid chega a 94% no Brasil

Segundo pesquisa Datafolha, aceitação de imunizantes bate recorde entre a população, apesar dos ataques e da paranoia estimulada pelo presidente Bolsonaro. Apenas 5% afirmam que não pretendem se vacinar.

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Uma pesquisa Datafolha apontou que 56% dos brasileiros afirmam já ter se vacinado contra a covid-19, e 38% dizem que pretendem se imunizar. Apenas 5% rejeitam vacinas contra a doença causada pelo coronavírus. Os números mostram que a aceitação de vacinas tem crescido nos últimos meses, apesar dos ataques do presidente Jair Bolsonaro, que continua a desestimular a vacinação e a alimentar paranoia sobre a eficácia dos imunizantes.

Os números da pesquisa:

  • 56% dizem já ter se vacinado;
  • 38%, que pretendem fazê-lo;
  • 5% afirmam que não foram vacinados nem pretendem ser imunizados;
  • 1% respondeu que não sabe.

A pesquisa ouviu de forma presencial 2.074 pessoas em 146 cidades do país nos dias 7 e 8 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Em comparação a um levantamento realizado em dezembro, a adesão às vacinas cresceu 21 pontos percentuais. Naquele mês, 73% dos brasileiros afirmavam que pretendiam se imunizar. Outros 23% afirmaram que não pretendiam fazê-lo.

A pesquisa de dezembro também havia mostrado que a resistência era maior entre os apoiadores de Jair Bolsonaro.

À época, Bolsonaro estava em intensa campanha para alimentar desconfiança infundada sobre os imunizantes, preferindo apostar em medidas ineficazes como o desacreditado “tratamento precoce” com hidroxicloroquina.

Naquele mês, ele também chegou a falar que o laboratório Pfizer não se responsabilizaria se os pacientes inoculados se transformassem em “jacarés”. Bolsonaro também repetiu várias vezes nos últimos meses sem nenhuma base científica que a pandemia estava chegando ao fim.

Paralelamente, redes bolsonaristas chamaram a Coronavac, que começou a ser produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, ligado ao governo paulista, de “vachina” e espalharam mentiras delirantes sobre o imunizante ser um mecanismo disfarçado de controle da mente.

Meses depois, o presidente continua com a mesma atitude, criticando a eficácia da Coronavac e afirmando que a melhor vacina é “pegar o vírus”. Bolsonaro também não tomou nenhuma vacina até o momento, pelo menos não publicamente.

Ele, porém, está em posição cada vez mais minoritária, segundo mostra a pesquisa Datafolha. Entre janeiro e maio, o instituto já havia detectado que a adesão à vacinação estava crescendo, mesmo com os ataques de Bolsonaro. Em março e abril, o país também registrou os meses mais mortíferos da pandemia. Apenas em abril, foram 82.266 óbitos relacionados ao coronavírus ao longo de 30 dias.